terça-feira, 13 de agosto de 2013

Lisura - Kássio Rodrigues


Quando estivermos prontos, será como um despertar voluntário de domingo de manhã.

Quando a sorte obedecer o coração, será como uma brisa minuano, acariciando o rosto e libertando os cabelos.

Será forte a minha alegria, e torpe a minha sensatez, porque não o saberei.

Mas, não o quero saber. Quero você. E, para mim, é um objetivo de vida.

Resta-me te amar. E, como o próprio verbo em questão diz, independe se me amas também.

Como reza a lisura da alma, tem-se que, é melhor amar assim a não valorizar-te quando te tenho.


Se ainda te tenho, deixe-me ao menos, sonhar com o nosso amor.

Kássio Rodrigues

terça-feira, 16 de julho de 2013

Candidez - Parte 2 (Kássio Rodrigues)



Quando me vi, sujismundo, vagante em plagas de outros.
Em outrora, era febril, esfriado pelo pano molhado.

Olho hoje, degusto minhas possibilidades
Sem entender, como vim parar aqui...

Como vim me esconder dentro de mim
Suo frio, mas não me deito mais
Canto grosso, mas não me aplaudo mais,

Visto linho, mas não mostro ao mundo meu personagens favoritos...
Engraxo de preto meu sapato, sem me preocupar em cair depois...

Outrora, fiz-me triste pela hora avançada que fazia o sol se esconder,
Fazia os desenhos no asfalto se esconderem também...
Fazia-me sono. Fazia-me indignado.

Hoje, o mesmo sol ainda se esconde, apagando no asfalto as alergias do dia.
Mas me rebuço em sinfonias de relaxamento, agradecendo a Deus pelo dia que findara.
Kássio Rodrigues

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Harmonia desafinada (Kássio Rodrigues)

Converse pouco. Converta-se muito.
Ande pouco. Desande ao muito.
Pisque pouco. Fique muito.
Beije devagar, antes do crepúsculo.

Voltar-te-á à cena do acontecido que te hipnotizou?
É certo que não. Então?
... Por que te refutas e não te acolhes
Um passado nu te engole, fazendo-te mole.

Certo, é o conserto do concerto.
Mas, não te podes deixar de concertar;
Podemos tocar e cantar juntos!
Mesmo que o mundo não nos assista.


Kássio Rodrigues

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Olhos que sorriem - Kássio Rodrigues



Ela sorria com os olhos. Isso me fascinara de fora para dentro como uma vacina anestesiadora; me deixara imóvel.
Retumbantemente introspeção me alabardava dividindo-me em: eu, ela e o amor.
A mais perfeita alusão ao momento tênue que se findara.
Far-me-á sólido e crente desta vez? Era o que me ateava aos pensamentos numa auto reluto de calor.
Fechado os olhos, me permiti ser levado. E, funcionou! Fomos cantados em anjos anônimos de esperança.
Mesmo que só eu os tenha visto (os anjos) – não sei – busquei no íntimo do meu coração um sonho esquecido:

Andar nas ruas sentimentais do amor, segurando sua mão suada depois de um sonho bom, e, nunca mais acordar.

Kássio Rodrigues

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Doce delírio matinal - Salomão Moura




Jogo sobre ti doces palavras
Com a esperança lúbrica de possuí-la um dia
Me obrigo a pensar nos mistérios profanos
De tua formosura
Que me fascina e me atormenta
Não hei de descrevê-la, comparando-te
Às flores, ao céu supremo ou a qualquer
Recurso fútil da natureza
–És maior que tudo isso, força divina!
Assemelho-te a um anjo de meus sonhos
Juvenis, vestida de negro com teu corpo
Liricamente desenhado e suas formas 
Simétricas que não se encontram em
Nenhum livro de anatomia.
Tocar-te é como apalpar a virtude fluente
Da lua cheia, transbordando teu prazer
A ponto de vê-la flutuar, libertando-se
Da gravidade, que não te podes possuir
É tu a energia sublime que transcende
Cada poro no calor do teu corpo quente,
Tão quente quanto das labaredas faiscantes
De uma lareira no mês de maio.

Salomão Moura

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Desmaterialização dos porquês - Kássio Rodrigues


Por você:
Me acertaria; em acertos; num penhasco - numa correta especificação de poderio de morte - certa certeza, condoer-me-ia em certidão de aprazes, me concertaria; ao molde do bem-querer, àquele sonho do cavalo branco trazendo o ideal, principesco principal do princípio programado. Porque te amo. Por que não me amas também? O porquê disso tudo se arrasta no infinito da solidão... Saudades só têm graça nestas minhas palavras que criptografam meus devaneios, por quê?

Kássio Rodrigues

terça-feira, 21 de maio de 2013

1 minuto de silêncio pela morte do meu ego - Kássio Rodrigues

1 minuto de silêncio pela morte do meu ego:

René Descartes (1596 - 1650) - Autor da frase: ''Penso, logo existo!''.

Sendo ainda cedo, reluto ao calor de meu leito, numa alusão ao camuflar da humanidade num dia normal, secular, de trabalho.
Busco dentro de mim, motivos aquém, de passear uma perna após a outra ante meu velho e popular carro.
Louvo uma canção de sorte; daquelas que representam o que não sou, mas que gostaria de ser.
Rabisco uma casinha de três colunas no caderno de anotações, como uma busca infinita e disfarçada, pela infância que vendi a troco de nada.
Ainda é cedo, e o sol já zomba da minha cara, levando meus desencantos ao compasso da música da cidade: carros, trens, motos, buzinas....
Ahhh, essas buzinas! São tão ligeiras, que às vezes repenso se convivo mesmo numa sociedade de humanos desumanos, e se realmente existo. Mas, se penso, logo existo!
E, se existo, gostaria de saber do porquê de ser invisível aos teus olhos.

Por: Kássio rodrigues