Ainda estamos aqui mamãe;
Essas foram as palavras do Baltasar, um homem feito, 42, barba por fazer, olhos fundos de noites mal dormidas; sonhando às asas do vento, comendo o pão que o diabo amassou.
Ainda suspirando alto, viu-se no semblante de Maria francisca, a amargura de toda uma vida de ilusões, promessas, mas que lhe deram decepções e frustrações. Uma conversa face a face, sobre a mesa de madeira, que machucavam os cotovelos, pelas pontas dos pregos que já ousavam sair ao comando do envelhecer. Tudo sobre a ela: Olhos famintos pela verdade, cânticos presos à garganta, querendo ser liberados por dotes de fraternidade. Uma ceia; de natal! Onde as coisas se acalmavam na infância, já que o papai-noel travestido de ''amigos'' vinha às escuras trazer o pão da manhã, e esse era a maior das alegrias; almas fartas pela companhia sincera de nove irmãos mais a mãe solteira, combinado à barriga cheia pela comida que alimenta homens cruéis e esquecidos pela felicidade. Ainda sentindo o frio da manhã de natal, fiz-me resto; histórias contadas e relembradas; nem todos estavam ali; dos nove irmãos, dois já haviam sido tragados pela terra, outros dois cruzaram os sete mares buscando se encontrar, se perderam na terra do nunca. Outros, adotados pela discórdia, se embebedaram de vinho doce, e se esqueceram das teias que os levavam sempre a mesma casa; de tijolos furados, com um pouco de chapisco para esconder a frieza das paredes, dois quartos; um para os homens, e outro para as mulheres, na sala, que dividia espaço com a cozinha, a mesa velha de madeira, que marcava cotovelos de quem ousasse usá-la, sentando-se em alguns dos dez tamboretes que lhe rodeava; pregos desnivelados que me lembram a dor Jesus na '' via crucis''. Bem, estavam todos lá, alguns na lembrança, outros na ignorância, mudaram por causa das leis da vida, mas são trazidos à memoria a medida que vêm a antiga e mesma dor dos pregos enferrujados.
''Tudo é dos outros, salvo a mágoa de o não ter.'' - Fernando pessoa - Desassossego
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
(Kássio Rodrigues)
Dá pra acreditar na conveniência do ser humano?
São entregues a paradigmas por preguiça de ir atrás da verdade, mas quando lhes convêm, lutam até o fim. O pior de tudo, não enxergam um palmo à sua frente, ou pelo menos não querem enxergar. Resumindo: quando lutam, estão lutando por uma coisa que nem sabem ao certo a real necessidade de manter sua existência, tudo porque quando chegaram lá ou aqui, todos já agiam assim, então por quê mudar? Admiro pessoas que usam o próprio cérebro, ao invés de usar o cérebro dos outros...
Dá pra acreditar na conveniência do ser humano?
São entregues a paradigmas por preguiça de ir atrás da verdade, mas quando lhes convêm, lutam até o fim. O pior de tudo, não enxergam um palmo à sua frente, ou pelo menos não querem enxergar. Resumindo: quando lutam, estão lutando por uma coisa que nem sabem ao certo a real necessidade de manter sua existência, tudo porque quando chegaram lá ou aqui, todos já agiam assim, então por quê mudar? Admiro pessoas que usam o próprio cérebro, ao invés de usar o cérebro dos outros...
(Kássio Rodrigues)
Força-os à caminhada do desespero, desacredita-os da benevolência do acaso, limita-os àqueles sonhos de criança. Faça-os machos de uma mulher só, e andarilhos entre espinhos de pés de limão,
Força-os à caminhada do desespero, desacredita-os da benevolência do acaso, limita-os àqueles sonhos de criança. Faça-os machos de uma mulher só, e andarilhos entre espinhos de pés de limão,
Crentes às nuvens escuras, descrentes ao esplendor do sol.
Naquela manha nublada, ligue os faróis do carro, em alta velocidade, esconda os
seus medos no porta-luvas, abra-o com a mão direita sem perder a direção,
eis-me aqui, ó morte, pronto para viver!
Acordes - (Salomão Moura)
Acordes
(Salomão Moura)
Notas nos meus ouvidos, doces canções tocadas pelos anjos
para me dopar, me embriagar,
O sol desce quando você sobe dedilhando com velocidade,
modelando os pássaros, o sol, a lua e as estrelas, o mundo para de girar. As
guerras se seguem com mais esperança de vencer, ouvindo esse som perfeito que
sangra dos seus dedos.
As mulheres se embriagam com seus doces e pecaminosos solos,
se jogam ao ar quando te ouvem, se excitam se sufocam!
Os músicos gritam canções, enquanto você se espalha pelo mundo, os escritores arrancam seus próprios corações e colocam no papel para expressarem esses sons que aguçam os sentidos.
Os músicos gritam canções, enquanto você se espalha pelo mundo, os escritores arrancam seus próprios corações e colocam no papel para expressarem esses sons que aguçam os sentidos.
Você bagunça o universo enquanto corre sobre as cordas,
fazendo uma batalha de dedos, e quando você termina, o mundo fica colorido...,
Contorcido..., renovado...
No começo me assustei; pois de costas ele era apenas um
vulto que tomava forma.
E eu sabia quem era, pois eu mesmo o me desafiara.
Só não esperava que sua ira fosse tão grande, ao passo que
pouco a pouco, sua fumaça cinza se transformasse em algo palpável, sólido e
firme.
Lá estava ele; não pude evitar olhar em seus olhos, que por
ironia de sua imaginação, eram meus olhos, com uma diferença no vermelho, que
resplandecia em ódio e fúria.
Não tive medo, embora pudesse sentir o arfar demoníaco
daquele ser que transformava em mim para me confrontar.
Ele me queria como desejara aquele momento, ansiava minha
completa destruição,
Nunca pôde me tocar nunca pôde me atacar, só podia me olhar
e esperava que eu tropeçasse em minhas idiotices, mesmo assim não conseguia
nada, mas naquele momento, percebi que ele poderia me atacar, e estava pronto
para vir – O que fiz? Por que ele está aqui?
Não importa, ele estava lá, e ansioso para me confrontar,
com paciência, apenas largou o prato e a bucha que ela usava para lavar as
vasilhas, limpei o sabão das mãos, dei um sorriso e tive o confronto que tanto
desejara, em todo esse tempo de minha miserável vida.
(Salomão Moura)
Não me espere hoje meu amor
Hoje não volto pra casa
Hoje não volto pros seus braços
Neste momento estou planejando meu caminho
E talvez essa seja a última lembrança que você terá de mim
Sei pra onde vou! Irei sem medo e não voltarei mais
Mas não chore. A culpa não e sua
Se todos ao meu redor fossem iguais a você,
Mas infelizmente só você me entende... Quero que entenda
isso também
Esse e meu ultimo adeus. Eu te amo e prometo te amar onde
quer que eu esteja
Mas não me procure, pois não me achara em lugar nenhum.
Pode achar meu corpo perdido em algum lugar, mais nada, além
disso...
Assinar:
Postagens (Atom)





