quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O que vi - Kássio Rodrigues



O que vi:

Vi de tudo nesta vida.
Não que a tenha vivido intensamente, ou que eu seja auto de data.
Sou quieto. Apesar de sempre ter considerado isso um defeito,
Vejo-me grande, mesmo que não o seja.

Vi o sol frio e a lua quente.
Vi nuvens densas em dias de pipa
Vi pessoas vazias se sentindo cheias
E, cheias, se sentindo vazias.

Vi cantos nobres em ruas escuras
Homens bons escondidos dos holofotes
Vi marchas firmes, em prol do nada
Mas também vi o nada tornando-se tudo

Vi o perdão triunfar em meio à guerra
A guerra perdoar mais que monges
Vi santos se contaminando
E contaminados tornando-se puros

Vi fortes se fazendo de fracos
Fracos se fazendo de fortes.
Pés delicados alçando duros chãos
Outros cascudos deliciando-se em massagens de areias do mar

Vi a morte triunfar sobre a vida
E a vida desbaratar a morte
Os avós aprendendo com os netos
Mas vi filhos tão quanto sem almas

De tudo que vi, nada vi; Tudo cri. 
Às vezes sem ter,
Às vezes sem amar,
Às vezes sem andar
Mas tudo tive, tudo pude, tudo fiz.
O que não fiz não posso dizer que foi omissão.
Pois dum coração apaixonado, tudo pode se esperar
Menos ser intrometido.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Expoente, o vento - Salomão Moura



       Se houvesse composições em meus sentimentos, tais se ilustrariam pelo farfalhar de um vento invisível que se choca contra as montanhas de pedras
Capaz de dilacerá-los pouco a pouco. A cada sopro fino, esfarelando lentamente; ironicamente transformando grandes rochas em pequenos grãos de areia que se misturam à sua forma
Transformando-se em um vento mais potente.
Se houvesse algum som em meus sentimentos, seria como um ruído estridente de um pequeno redemoinho que sai da montanha para brincar nos campos duma aldeia
Carregando consigo a poeira, folhas secas e outros componentes de chão sujo; querendo ser mais do que ouvido.

          Se houvesse composições em meus sentimentos, tais seriam com a roda seca dum redemoinho
Que se une a outros mais belos; aos animais mais fortes e os tempos mais misteriosos, sem entender a dor que causa a quem está em seu interior
Mas que, pouco a pouco, sente a culpa pesada dentro de si.

         Se houvesse algum som em meus sentimentos, seria como um grito assustador de um furação que sente culpado por seu fracasso;
Por não poder ser o que era, pois se tornara amargo, a ponto de se unir a ventos fracassados que não podem tocar o céu sem estar firmemente pregados ao chão sujo,
Por destruir toda a vida à sua volta, pelo egoísmo de querer ser grande.

        Se houvesse composições em meus sentimentos, tais se ilustrariam como um furação, que depois de horas vai expelindo aos poucos as cinzas do que restou da sua destruição;
Abandonando tudo que despedaçou; entendo que nada daquilo deveria fazer parte do seu interior, nem mesmo os ventos, dos quais se uniu.
Aos poucos vai jogando casas destroçadas, árvores destruídas, animais mortos e tudo arrastou consigo, pelo mero prazer de arranhar o céu.

        Se houvesse algum som em meus sentimentos, seria como o som de uma brisa fina, que se desloca de um furação reconhecendo sua simplicidade; tristemente arrependido, depressivamente saudoso, que decide voltar às montanhas que lhe acolheram, evitando machucar as rochas, antes feridas e amedrontadas, temendo ser machucadas novamente pelo seu sopro irônico;
Seria com se o som de uma brisa fina que decide deixar as montanhas pra sempre alegrar os moinhos de uma fazenda

       Se pudesse comparar meus sentimentos, os compararia à brisa que diverte os moinhos de uma fazenda, e, que balança as folhas de uma árvore, dando vida e movimentos, que diverte pássaros
E as pipas que voam ao seu favor.
Que brinca com as folhas secas caídas, dando-lhes sensações de vida própria, que brinca com a flor, levando longe seu perfume, que passa pelas águas cristalinas e lhes dá o som perfeito
Que passa pela grama e lhes faz cócegas, que une a todo ser que respira, permitindo-lhes a pureza do ar fresco, que abraça todas as pessoas tristes ao seu redor, com leveza, secando lágrimas e proporcionando um arrepio gostoso; arrancando deles um sorriso de esperança.

Uma brisa que, com o tempo, ganha o céu de presente e se torna o vento mais puro e o mais forte de todos; capaz de dançar com as nuvens e mudar suas formas; capaz de descer ao mar e sacudir suas águas mais pesadas e, ajudar marinheiros a chegar em suas casas sem perigo. Um vento puro que apesar de invisível, deixa saudades no coração de quem o sentiu.

Por Salomão Moura

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Lisura - Kássio Rodrigues


Quando estivermos prontos, será como um despertar voluntário de domingo de manhã.

Quando a sorte obedecer o coração, será como uma brisa minuano, acariciando o rosto e libertando os cabelos.

Será forte a minha alegria, e torpe a minha sensatez, porque não o saberei.

Mas, não o quero saber. Quero você. E, para mim, é um objetivo de vida.

Resta-me te amar. E, como o próprio verbo em questão diz, independe se me amas também.

Como reza a lisura da alma, tem-se que, é melhor amar assim a não valorizar-te quando te tenho.


Se ainda te tenho, deixe-me ao menos, sonhar com o nosso amor.

Kássio Rodrigues

terça-feira, 16 de julho de 2013

Candidez - Parte 2 (Kássio Rodrigues)



Quando me vi, sujismundo, vagante em plagas de outros.
Em outrora, era febril, esfriado pelo pano molhado.

Olho hoje, degusto minhas possibilidades
Sem entender, como vim parar aqui...

Como vim me esconder dentro de mim
Suo frio, mas não me deito mais
Canto grosso, mas não me aplaudo mais,

Visto linho, mas não mostro ao mundo meu personagens favoritos...
Engraxo de preto meu sapato, sem me preocupar em cair depois...

Outrora, fiz-me triste pela hora avançada que fazia o sol se esconder,
Fazia os desenhos no asfalto se esconderem também...
Fazia-me sono. Fazia-me indignado.

Hoje, o mesmo sol ainda se esconde, apagando no asfalto as alergias do dia.
Mas me rebuço em sinfonias de relaxamento, agradecendo a Deus pelo dia que findara.
Kássio Rodrigues

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Harmonia desafinada (Kássio Rodrigues)

Converse pouco. Converta-se muito.
Ande pouco. Desande ao muito.
Pisque pouco. Fique muito.
Beije devagar, antes do crepúsculo.

Voltar-te-á à cena do acontecido que te hipnotizou?
É certo que não. Então?
... Por que te refutas e não te acolhes
Um passado nu te engole, fazendo-te mole.

Certo, é o conserto do concerto.
Mas, não te podes deixar de concertar;
Podemos tocar e cantar juntos!
Mesmo que o mundo não nos assista.


Kássio Rodrigues

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Olhos que sorriem - Kássio Rodrigues



Ela sorria com os olhos. Isso me fascinara de fora para dentro como uma vacina anestesiadora; me deixara imóvel.
Retumbantemente introspeção me alabardava dividindo-me em: eu, ela e o amor.
A mais perfeita alusão ao momento tênue que se findara.
Far-me-á sólido e crente desta vez? Era o que me ateava aos pensamentos numa auto reluto de calor.
Fechado os olhos, me permiti ser levado. E, funcionou! Fomos cantados em anjos anônimos de esperança.
Mesmo que só eu os tenha visto (os anjos) – não sei – busquei no íntimo do meu coração um sonho esquecido:

Andar nas ruas sentimentais do amor, segurando sua mão suada depois de um sonho bom, e, nunca mais acordar.

Kássio Rodrigues

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Doce delírio matinal - Salomão Moura




Jogo sobre ti doces palavras
Com a esperança lúbrica de possuí-la um dia
Me obrigo a pensar nos mistérios profanos
De tua formosura
Que me fascina e me atormenta
Não hei de descrevê-la, comparando-te
Às flores, ao céu supremo ou a qualquer
Recurso fútil da natureza
–És maior que tudo isso, força divina!
Assemelho-te a um anjo de meus sonhos
Juvenis, vestida de negro com teu corpo
Liricamente desenhado e suas formas 
Simétricas que não se encontram em
Nenhum livro de anatomia.
Tocar-te é como apalpar a virtude fluente
Da lua cheia, transbordando teu prazer
A ponto de vê-la flutuar, libertando-se
Da gravidade, que não te podes possuir
É tu a energia sublime que transcende
Cada poro no calor do teu corpo quente,
Tão quente quanto das labaredas faiscantes
De uma lareira no mês de maio.

Salomão Moura