sexta-feira, 9 de novembro de 2012

SOZINHO (Salomão Moura)





No amplexo da escuridão,
minha mente, moldada como foi pela experiência humana, tenta compreender o conceito
fundamentador de minha solidão.
Meus olhos, supurados em trevas que até mesmo os mais ousados
deuses abominam contemplar, lançam corpo adentro, buscando um processo de luz
para ceder a noite que me habita, e enquanto me
arrasto para fora de mim mesmo, amedrontado diante da estranha e nova
luminosidade, consigo ouvir acima de minha cabeça, ecoando nos topos rugosos
das montanhas...
Uma gargalhada!
Uma gélida e negra gargalhada de um ser
completamente imerso no universo das ironias.
Minha recente manifestação de luz extraiu de alguém versado
nas artes da frieza aquele riso devastador. Mas não interviu.
Longe de mim, a vontade de conhecer a proveniência daquele incomodo sarcástico. Apenas irei empregar meu recém-manifesto "poder da alma" para encontrar no
próximo, aquilo que não encontrei dentro de mim, mesmo tendo conhecimento de que algo ruim estará a espreita.

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